Novos Programas de Português do Ensino Básico

Blogue dos Formandos da Escola Básica Integrada de Rabo de Peixe

1º Ciclo – Fátima Moreira

 

 

 1º Módulo

Quando fui contactada pelo Conselho Executivo encarei a frequência desta formação como um desafio, uma excelente oportunidade para desenvolver competências, aprendizagens, conhecimentos, etc.

Nestas primeiras sessões de formação apercebi-me que vai ser muito difícil, em termos de organização da minha vida profissional, corresponder às expectativas e às exigências que me serão feitas, pelo menos numa primeira fase. Por um lado, surge a questão da organização do tempo, como conciliar os períodos de reflexão e de preparação da replicação com a prática pedagógica? Por outro lado, como realizar um trabalho assíduo na plataforma (moodle) se o estabelecimento onde trabalho ainda não possui quaisquer recursos de acesso à Internet? De qualquer forma, a metodologia de trabalho adoptada sugere que a acção vai constituir um excelente espaço de intervenção e julgo que o mais importante é retirarmos desta participação o que for melhor para nós! A ver vamos!…

Os aspectos abordados sobre o Novo Programa de Português suscitaram algumas questões e a partilha de experiências pedagógicas, na minha opinião, extremamente interessantes, que contribuíram para o esclarecimento, sobretudo, de aspectos relacionados com a necessidade de uma mudança. Pelo menos, desta vez, lembraram-se de nós professores e resolveram preparar-nos!…

Apesar de tudo, independentemente da nossa opinião sobre os pressupostos do Novo Programa de Português e de todos os condicionalismos que existem no terreno, temos de o implementar. Agora, temos de definir estratégias e de trabalhar com alguma prudência.

Outubro de 2009

A componente não presencial

A plataforma Moodle, criada como suporte ao desenvolvimento da componente não presencial da formação, tem sido um excelente espaço para o confronto de ideias, para o esclarecimento de dúvidas e para a partilha de materiais e de recursos.

Durante a frequência do primeiro módulo apercebi-me da resistência de alguns dos colegas ao uso das novas tecnologias, devido à falta de formação ou de conhecimentos na área. Contudo, o número de participações e a pertinência dos conteúdos abordados, nomeadamente, nos fóruns, são reveladores da importância que os formandos têm dado a este espaço como complemento à formação presencial.

Apesar da minha fraca participação nas discussões, a leitura sobre os diferentes assuntos que vão sendo reflectidos tem-me ajudado a estruturar ideias e a assumir uma postura de maior clareza em relação às questões tratadas.

Novembro de 2009

2º Módulo

Neste segundo módulo de formação tomámos consciência da grande responsabilidade que nos é “imposta” em relação à estruturação e à gestão do Novo Programa de Português.

A anualização operacionaliza a lógica da progressão e da intenção de uma matriz comum aos três ciclos, assumindo um papel de relevo na realidade pedagógica das escolas. Cabe-nos a nós (enquanto departamento) organizar os descritores de desempenho (conteúdos) tendo em conta os resultados esperados para os alunos no final de cada ciclo, isto é, a difícil tarefa da anualização.

Nas últimas sessões de formação tivemos a oportunidade de experimentar este trabalho. Eu e os meus colegas de grupo debruçámo-nos numa actividade de anualização centrada nas Funções sintácticas (conhecimento explícito da língua). Através deste exercício constatámos que a organização dos descritores de desempenho por ciclo, tal como se prevê no Novo Programa, permite obter uma visão progressiva e integrada dos conteúdos feita através de um percurso que começa com os conceitos mais simples e vai avançando com os conceitos mais complexos. Apesar de tudo, esta visão poderá ser considerada meramente formal, se tivermos em conta a subjectividade dos resultados esperados, por exemplo, para o 1º ciclo – “Mobilizar os conhecimentos adquiridos para melhorar o desempenho no modo oral e escrito”.

Novembro de 2009

3º Módulo

A organização do processo ensino-aprendizagem foi o primeiro foco de reflexão deste 3º módulo de formação. Iniciámos a sessão com uma breve discussão sobre as diferentes tipologias de planificação – anual, de unidade, de aula, etc e sobre os procedimentos adoptadas pelos formandos na organização da sua actividade lectiva. Concluímos que, independentemente do modelo utilizado, uma planificação objectiva e prática, que tem em conta as orientações do programa e do currículo, assume-se como um guia fundamental na orientação e na regulação das aulas.

O modelo de planificação de sequências didácticas proposto pelos formadores pareceu-me bastante complexo e contrariar esta ideia de uma planificação prática e objectiva!… No trabalho de grupo realizado sobre a sequencialização, eu e os meus colegas, depois de reflectirmos sobre os descritores de desempenho e de decidirmos os conteúdos a trabalhar, sentimos dificuldade em determinar e em articular a competência foco e as competências associadas. Apesar de termos optado por reorganizar a grelha que nos tinha sido facultada mantivemos a mesma dificuldade. Na minha opinião, o modelo de sequências didácticas apresentado é um instrumento bastante válido na medida em que nos obriga a reflectir criticamente sobre o nosso trabalho, no entanto exige um grande esforço de elaboração e um investimento de tempo, que eu não consigo compreender como uma necessidade! Por outro lado, conduz a uma fragmentação muito formal da realidade pedagógica que, no caso concreto do 1º ciclo, parece contrariar a filosofia da interdisciplinaridade. Julgo que deveríamos tentar encontrar uma estrutura mais simples e mais facilitadora do trabalho da planificação, através de um maior aprofundamento teórico sobre o assunto, para que esta etapa da nossa prática pedagógica deixe de ser encarada, em muitos casos, como um mero trabalho institucional, e comece a ser perspectivada como uma ferramenta que favorece a qualidade do nosso trabalho.

O segundo foco de reflexão foi dedicado a algumas medidas desenvolvidas a nível nacional no sentido de melhorar e de fomentar os níveis e os hábitos de leitura na população. Alguns dos projectos e das actividades que se encontram a ser implementados nas escolas são a prova do sucesso destas medidas. No último módulo de replicação dedicámos (eu e os outros dois formandos da Escola Básica de Rabo de Peixe) algum tempo à exploração do site do Plano Nacional de Leitura e à partilha de práticas pedagógicas promotoras da leitura. Foi com agrado que verificámos que os professores/educadores (a título individual e enquanto departamentos) têm vindo a realizar um conjunto de acções enriquecedoras da aprendizagem da leitura: concursos de leitura, hora do conto, cantinho da leitura, visitas de estudo à Biblioteca Pública de Ponta Delgada, feiras do livro, laboratórios de Língua Portuguesa, troca de correspondência inter-turmas, organização de dossiers de recursos, jornal escolar, blogues de actividades, elaboração de videogramas de histórias lidas, etc.

Nesta linha insere-se também a actuação do Conselho Executivo e dos conselhos de núcleo da Escola Básica Integrada de Rabo de Peixe. Desde o início do ano lectivo, as bibliotecas escolares (biblioteca da sede da escola básica e bibliotecas dos núcleos do 1º ciclo) têm sido valorizadas e requalificadas. Exemplo disso é a biblioteca do estabelecimento do 1º ciclo onde exerço a minha actividade. Este espaço tem vindo a transformar-se num local muito aprazível e moderno, para além das cores alegres e simpáticas dos sofás, das cortinas, das estantes e das mesas, actualmente, além dos livros, a biblioteca já se encontra apetrechada com diversos recursos tecnológicos: CDs, DVs de filmes e jogos, computadores, quadro digital, máquina fotográfica digital, computadores, mesas digitais, datashow, etc. Mais importante do que tudo isto, é notável importância que a biblioteca tem vindo a assumir no dia-a-dia da escola.

Estas práticas convergem com a política nacional relativamente ao valor atribuído à leitura e à necessidade de LER+. Julgo que estamos a caminhar num bom caminho!

Abril de 2010

4º Módulo

A problematização de alguns dos pressupostos que podem conduzir os professores ao verdadeiro desenvolvimento da competência da escrita e a reflexão sobre práticas e estratégias apropriadas à didáctica do acto de escrever foram as abordagens centrais do quarto módulo de formação.

As dificuldades constatadas na competência da escrita pelos alunos das nossas escolas têm exigido uma reflexão, no sentido de serem identificados e ultrapassados os problemas que conduzam os educadores/professores à promoção de práticas de escrita devidamente organizadas e intencionalmente orientadas. Se até há pouco tempo se considerava que “os alunos escreviam por intuição ou dom” (GIP Escrita, p. 5), a investigação recente coloca o aluno e o professor no centro de um processo que é cognitivo, social e construtivo (“perspectivas pedagógicas”) e aponta para uma abordagem da escrita centrada no processo e não no produto. No processo da escrita deverão ser considerados aspectos relacionados com o contexto da comunicação, as características do texto e as características cognitivas do aluno.

Ao longo destes anos, na minha prática pedagógica, embora recorra a uma grande diversidade e multiplicidade de actividades que envolvem a escrita, tenho dado menos relevo àquelas que promovem a expressão de ideias e de pontos de vista. Por outro lado, embora, normalmente, forneça indicações sobre a temática e indicações metodológicas sobre o procedimento a adoptar, centro-me nos aspectos formais de redacção e numa escrita de aperfeiçoamento de texto ainda superficial. Em relação ao contexto da redacção, nem sempre o valorizo, sobretudo, quando o texto em questão não se destina a uma divulgação na comunidade escolar. (Este é o momento certo para repensar a minha pedagogia!…)

Julgo que a lógica das sequências didácticas poderá contribuir para a mudança de estratégias no ensino da escrita, uma vez que as actividades passam a ser enquadradas numa ordem mais sequencial e lógica. No entanto, surge mais uma vez o problema da complexidade do trabalho das sequências didácticas… No exercício de reescrita da sequencialização realizado no último módulo, eu e os meus colegas, reformulámos a grelha apresentada pelos formadores e chegámos a uma estrutura que me parece mais exequível, nomeadamente, para articulação das diferentes áreas disciplinares do 1º ciclo. Mas é necessário continuar a trabalhar a questão das sequências, desta vez no terreno, em equipas de trabalho, o que vai ser difícil, sobretudo, numa altura em que o novo modelo de avaliação do desempenho docente tem relegado, em muitas escolas, o trabalho colaborativo para um segundo plano.

Caríssimos formadores, ESCREVER é sempre difícil, é complexo para os alunos e para os professores. Escrever para publicar no blogue foi ainda mais complicado!

OBRIGADA pelo desafio e pelo resto!…

 A formanda Fátima Moreira

Junho de 2010

2 Comentários»

  Graça Coelho wrote @

Olá Mª de Fátima,
muito me apraz reparar que iniciaste as tuas incursões e actividades nas ferramentas Web 2.0. Com o aparecimento da World Wide Web alterou-se a forma como se acede à informação e como se passou a pesquisar, a preparar aulas, a comunicar… democratizou-se a publicação online e o acesso à informação. Escrever online é estimulante! Nunca é demais reforçar de que ser letrado, no séc. XXI, não se cinge a saber ler
e escrever, como dantes. Esse conceito integra também a Web e os seus recursos e ferramentas que proporcionam não só o acesso à informação, mas também a facilidade de publicação e de compartilha online. Estar online é imprescindível para existir, para aprender, para dar e para receber.
Continua. parabéns.graça

  mfatimavale wrote @

Olá Graça,
estamos mesmo perante uma nova sociedade de informação que, de certa forma, nos “obriga” a produzir e a construir o nosso próprio conhecimento. Obrigada pelo comentário e pelo incentivo.
Fátima


Deixar uma resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

WordPress.com Logo

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Log Out / Modificar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Log Out / Modificar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Log Out / Modificar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Log Out / Modificar )

Connecting to %s

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

%d bloggers like this: