Novos Programas de Português do Ensino Básico

Blogue dos Formandos da Escola Básica Integrada de Rabo de Peixe

2º Ciclo – Joana Marques

1º Módulo

 

Foi pedido aos formandos que fizessem uma reflexão acerca das primeiras sessões da formação sobre a Implementação do Novo Programa de Português. À primeira vista, nada mais fácil, já que as primeiras sessões tiveram a duração de dois dias. Enganei-me profundamente, pois o que dificulta a tarefa é a falta de tempo que existe nestas nossas vidas de professor. O tempo urge e é bem verdade, é cada vez mais um bem escasso e precioso. Só quando me deparei com este tipo de tarefa é que concluí que nestes últimos anos pouco tempo tenho dedicado à reflexão. Acção esta tão importante para o desenvolvimento do nosso pensamento e para o desenvolvimento do auto e hetero conhecimento. Aliás, aproveitando a frase do sábio chinês Lao- Tsé,  “Quem conhece os outros é sábio; quem conhece a si mesmo é iluminado”.

O que observei nestes dois dias de formação foi docentes (quase todos mais experientes do que eu) expectantes, hesitantes e reticentes, tal e qual como eu. É bom concluir que não estamos sozinhos e estas primeiras sessões tranquilizaram-me nesse sentido. Houve constante partilha de experiências, de dúvidas, de sentimentos… Sentimentos esses muito diversificados. A insegurança perante a mudança, aliás todo o ser humano é adverso à mudança, a insegurança perante a partilha, perante a reacção a este novo programa. Também a perplexidade perante a informação dada pelos formadores, ao saber que a formação iria ter um peso tão grande de responsabilidade e de avaliação, pesou nessa insegurança. A avaliação… mais uma adversidade… que, aliás, dava páginas e páginas de escrita… Como o grande Martin Luther King disse um dia: “A verdadeira medida de um homem não é como ele se comporta em momentos de conforto e conveniência, mas como ele se mantém em tempos de controvérsia e desafio”, por isso cá estou preparada para este desafio e preparar-me-ei para transmitir o que me for pedido aos meus colegas de trabalho.

Houve momentos durante estas sessões em que me “ausentei” para pensar o quanto tenho a aprender, o quanto tenho que mudar na minha prática docente e dei comigo, a meio das minhas divagações, a duvidar e a colocar em questão todo o meu trabalho destes últimos anos (não muitos, apenas nove). Factor este que me fez sentir minúscula perante a plateia de formandos… Tenho ainda tanto que aprender!!! (conclusão número um). Sinto-me capaz e julgo que estas sessões de formação serão o meu pilar para a mudança.

Foi agradável, motivador e enriquecedor o facto de trabalhar com professores dos três ciclos. A partilha e a compreensão de muitos aspectos é superior e faz mais sentido.

O Novo Programa de Português. O que apreendi logo no início? Confesso que já tinha tido acesso ao programa, mas a falta daquele precioso bem que referi no início (tempo), fez-me adiar uma leitura, mesmo na diagonal. Conclusão: imprimi, desfolhei, guardei numa pasta e, aguardei pelo início da formação.

Durante a 1ª sessão fiquei a saber que este Novo Programa tinha como pontos de partida: o Currículo Nacional do Ensino Básico, publicado em 2001; o Programa Nacional de Ensino do Português de 2006; o Plano Nacional de Leitura, em desenvolvimento desde 2007; a Conferência Internacional sobre o Ensino do Português, que teve lugar em Lisboa em Maio de 2007; a publicação do Dicionário Terminológico em 2008.

Através de trabalhos de grupo, realizados nas sessões, fiquei, igualmente a ter conhecimento das respectivas características dos três ciclos, assim como a forma de organização e os resultados esperados de cada um deles; fiquei a perceber que existem quatro eixos de actuação para o desenvolvimento das competências gerais: o da experiência humana, o da comunicação linguística, o do conhecimento linguístico e translinguístico. As competências específicas associadas às actividades linguísticas são a compreensão oral e a expressão oral, a leitura e a escrita e o conhecimento explícito da língua.

Houve, da mesma forma, oportunidade para interpretar os quadros de progressão programática, estando eles organizados de acordo com as competências específicas estabelecidas no Currículo Nacional do Ensino Básico.

Foi dada a conhecer a forma de avaliação desta formação e foi-nos explicado como haveríamos de replicar nas nossas escolas.

Nesta primeira sessão houve também lugar para visitar a plataforma Moodle, local fundamental para o desenrolar da nossa formação.

Agora, mãos à obra para elaborar materiais que facilitem a leitura do programa aos nossos colegas de escola e mãos à obra para fragmentar as três partes deste novo programa.

Outubro de 2009

2º Módulo

Passou menos de um mês e cá estou eu, novamente, a reflectir acerca da formação sobre a Implementação do Novo Programa de Português do Ensino Básico. Antes de iniciar a reflexão acerca destes módulos de formação, irei reflectir sobre o trabalho em equipa realizado na preparação da replicação do novo programa na escola. Foi uma tarefa muito enriquecedora e gratificante na medida em que o trabalho em conjunto e a partilha de experiências e ideias resultou em pleno. Quanto aos participantes que nos ouviram, julgo terem ficado satisfeitos com a replicação, tendo havido intervenções muito positivas.

No decorrer da preparação do nosso material de apoio deparamo-nos com uma situação, digamos, caricata. O Programa é extenso, está bastante completo, bem organizado, dividido em partes, existe um sumário muito bem elaborado que contém a fragmentação dessas mesmas partes mas questionamo-nos uns aos outros pela ausência de um índice, com números de página que facilitariam a sua leitura.

Relativamente à minha participação no fórum, tenho pena de não ter oportunidade para ser mais participativa. Entre a vida pessoal, a minha prática pedagógica, a minha direcção de turma e a co-responsabilidade pelo Clube de Línguas da escola, pouco tempo resta do meu dia-a-dia. Tenho acompanhado os temas do fórum, que considero pertinentes, mas nem sempre tenho a oportunidade de opinar.

Neste segundo módulo a partilha de experiências e opiniões foi uma constante. São deveras importantes e interessantes na medida em que muitas das minhas dúvidas são esclarecidas e muitos dos meus receios são apoiados. Vejo o fórum e as sessões de formação como espaços onde podemos desenvolver estratégias para melhor operacionalizar o Novo Programa.

Neste segundo módulo, voltou-se a ouvir os termos “transversalidade” e “articulação”. São de facto, duas palavras-chave nesta nova etapa que se avizinha. Há articulação entre os três ciclos e entre as cinco competências. Nada pode ser dado ao acaso. Nem mesmo o Conhecimento Explícito da Língua. Esta competência por muito que esteja relacionada com todas as outras, por vezes, torna-se difícil que o aluno consiga aplicar ou reinvestir os conhecimentos na escrita, por exemplo. E do nosso lado, é difícil diversificar as nossas estratégias ou preparar actividades adequadas à realidade dos nossos alunos. Deve haver uma mobilização do conhecimento para que a articulação entre competências seja positiva.

Para o desenvolvimento da competência da Escrita ouvimos sugestões muito válidas e importantes, tais como: a oficina da escrita, a diversidade de tarefas, o uso de temas pouco intimidativos, a planificação da escrita, ou seja, a programação e a organização e a auto-avaliação. Desta forma, o aluno poderá reflectir, imaginar, criar e aperfeiçoar o que escreve. Já Marcel Proust, escritor francês, em século passado escreveu: “O génio do escritor consiste no seu poder reflector”. E é bem verdade! A nossa função como professores passa por orientar o aluno nessa tarefa de planificar a escrita.

A oralidade…que valor lhe damos como portugueses? A que devíamos? Possivelmente não… “O homem é um ser que se criou a si próprio ao criar uma linguagem. Pela palavra, o homem é uma metáfora de si próprio.” Palavras de Octavio Paz, Nobel da Literatura em 1990. Na minha prática pedagógica vejo-me constantemente a avaliar a oralidade, sem nunca a planificar! Ela é parte integrante do meu trabalho diário mas até que ponto lhe dou a devida importância? A linguagem é o que nos distingue dos demais e a nossa língua devia ser valorizada. Noutros países, os alunos são treinados especificamente para serem bons na oralidade e a chave desta competência está no “saber escutar”.

Houve ainda tempo para falar da anualização…mais uma das preocupações que nos anda a dominar o pensamento… Ficámos a saber que existem três critérios de anualização: os descritores, ou seja, como o aluno vai trabalhar nos 1º, 2º e 3º ciclos; o sentido de progressão, ou seja, os descritores são divididos tendo em conta a progressão (quando não é possível iniciar pelos descritores, vamos aos conteúdos) e grau de complexidade.

No final de contas, aqui temos muito que fazer, ou melhor, anualizar! Mais uma vez mãos à obra!

Novembro de 2009

3º Módulo

Como planificar? Por onde começar? Até que ponto é necessário alterar rotinas? Estas questões fizeram parte da reflexão dos primeiros momentos desta sessão. As formadoras levaram-nos a reflectir acerca de todo este processo de ensino – aprendizagem. Concluí, de toda a troca de ideias, que o importante será operacionalizar na avaliação e na realização de materiais. As opiniões relativamente ao início de uma planificação foram diversas, o fundamental será que qualquer conteúdo deve ser cenário das competências e deve ser sua parte integrante, de forma a ir sendo complexificado.

Sequência didáctica… foi-nos dado um exemplo a seguir, ou não, para uma sequencialização didáctica. Em trabalho de grupo, concluímos que o modelo apresentado não era muito funcional, era demasiado complexo, pelo que nos criou algumas dificuldades na determinação da competência foco e das competências associadas. É óbvio que ao fazermos uma sequência didáctica todo o nosso trabalho é simplificado e organizado. Assim permite-nos saber qual a situação inicial dos alunos, estruturar o conhecimento que temos sobre as turmas, ter conhecimento acerca do estádio de desenvolvimento das competências e determinar o ponto de chegada. No entanto, deve haver espaço para futuras reflexões e discussões de forma a criarmos uma sequência didáctica mais operacional para o dia-a-dia. Nas escolas cabe-nos a difícil tarefa de passar palavras aos restantes professores e iniciar o trabalho no sentido de construir novos instrumentos de trabalho.

No segundo dia de formação houve algum tempo para dedicar à Leitura. Em conclusão, devemos ter em conta o texto, o leitor e o contexto como factores para a compreensão da leitura. Assim, devemos pensar na abordagem da leitura tendo em conta esses factores. Porque será tão difícil incutir nos alunos o gosto pela leitura? Para ler juntam-se duas competências importantes: o saber ler associado à vontade de ler. O aluno deve sempre ter noção do objectivo da tarefa que lhe é pedida. Deste modo, o professor tem o papel de definir o propósito e implicar o aluno nesse propósito aquando da leitura de um texto.

A pré-leitura, a leitura e a pós-leitura são as etapas fundamentais da leitura. Como estratégias de leitura contamos com a antecipação, o questionamento, o sumário e a recapitulação.

Com consciência da importância da leitura para o desenvolvimento do indivíduo, os formandos de Rabo de Peixe, tiveram a preocupação de disponibilizar no blogue a ligação para o sítio do Plano Nacional de Leitura. Nas aulas, tentámos ao máximo divulgar este sítio e damos tempo aos alunos para que o explorem. Para já tem sido interessante, pois os alunos adoraram a ideia de ler um livro digital. Dizem que é muito mais interessante. Para já, era o que se pretendia: alguma dedicação à leitura…

Abril de  2010

4º Módulo

Neste módulo começou-se por discutir a “lógica do conteúdo”. Então, trata-se de uma competência, onde o indivíduo é competente a desempenhar algo.

Relativamente à competência da escrita deu-se inicio à visualização de uma entrevista do jornalista Mário Crespo ao escritor António Lobo Antunes. Dessa entrevista ficaram gravadas algumas frases-chave com as quais concordo, tais como: “ escrever é muito difícil”; “corrigir é muito difícil”; “existe uma diferença muito grande entre emoção e escrita”; “leitor sente as emoções através do único instrumento que dispõe, as palavras”. Devemos estar cientes de toda essa dificuldade da escrita e passar aos nossos alunos a ideia de que a escrita deve ser algo bem planificado, elaborado e pensado. O Novo Programa de Português apresenta-nos uma nova posição do professor relativamente à escrita. Assim, hoje em dia, pretendem-se que a escrita deixe de ser uma actividade mecanicista para ser mais cognitiva e um processo comunicativo onde se dá continuidade à linguagem e ao seu uso.

À luz destes princípios ainda tive tempo para aplicar esta filosofia na escrita dos meus alunos. Tentei  não “  castrar” os seus textos, deixando de usar determinantes técnicas de correcção, tais como: riscar repetições, escrever palavras ou sugestões por cima do que está escrito, substituir letras, palavras e expressões e o mais importante a meu ver: a atribuição de menções qualitativas. A reacção de alguns alunos foi interessante: “ Professora, esqueceu-se de dar nota ao meu texto!”. Expliquei-lhes que estava a experimentar uma “coisa nova” e disse-lhes que não era com os meus riscos, as minhas setas, as minhas cruzes ou os meus círculos que os ia colocar a escrever correctamente. Aproveitei o momento para dialogar acerca dos textos deles, aguardando pelas próprias sugestões e a dos colegas e concluí dizendo-lhes que só conseguiam aprender a escrever se escreverem…

Toda esta auto e hetero-avaliação dos trabalhos escritos parecem-me eficazes e adequadas para o desenvolvimento desta competência.

A fase seguinte será, no próximo ano lectivo, dar continuidade à implementação destes novos princípios e motivar os nossos alunos para a escrita e para uma progressiva autonomia para o desenvolvimento desta competência.

Neste último módulo de formação houve novamente tempo dedicado à sequência didáctica. A sequência didáctica promove o desenvolvimento integrado das diferentes competências, privilegia um trabalho estruturado e estruturante no âmbito de cada uma das competências específicas; a avaliação é centrada no desempenho dos alunos, implica a utilização de recursos e materiais significativos, motivadores e diversificados e valorizar os produtos realizados pelos alunos.

Houve, inicialmente uma clarificação de conceitos relativa à estrutura de uma sequência didáctica.

Antes de mais interessa referir que para elaborar uma sequência didáctica será necessário ter em conta os seguintes factores: os pré-requisitos dos alunos, as actividades planeadas por etapas para promover experiências de aprendizagem e a avaliação monitorizada através dos descritores.

Na sequência didáctica fala-se em competência foco e competências associadas. A primeira, é a que se desenvolve de forma privilegiada e sempre em função dos resultados esperados. As competências associadas auxiliam de forma articulada o desenvolvimento de foco; o ensino é explícito e intencional e é feito de acordo com os descritores de desempenho delineados nos Novos Programas de Português. Desta forma, temos sempre consciência daquilo que está a ser trabalhado. Etapa será uma actividade ou um conjunto de actividades em que se desenvolve trabalho explícito sobre um ou mais descritores de uma ou mais competências.

Os conhecimentos prévios pressupostos influenciam a aprendizagem tendo em conta que são importantíssimos na medida em que todos os alunos são diferentes, bem como a maturidade é diferente de aluno para aluno.

A experiência de aprendizagem é entendida como uma actividade ou um conjunto de actividades realizadas pelos alunos com recursos a materiais motivadores e que sejam significativos.

Em forma de conclusão, este novo modelo de planificação implica grandes mudanças na nossa prática. É sem dúvida alguma um trabalho complexo, no entanto, útil e organizador do nosso tempo e de todo o processo de ensino-aprendizagem. Agora, nas nossas escolas espera-se pela grande mudança nas nossas práticas e nas nossas mentalidades pois para que o sucesso seja maior deverá existir um trabalho árduo e conjunto e de todos.

A formanda Joana Marques

Junho de 2010

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