Novos Programas de Português do Ensino Básico

Blogue dos Formandos da Escola Básica Integrada de Rabo de Peixe

3º Ciclo – Emanuel Pereira

1º Módulo

Quando fui convidado pelo presidente do Conselho Executivo da minha escola, no passado mês de Julho, para participar nesta Formação sobre o Novo Programa de Português, aceitei de imediato, visto não só ser um desafio, mas também ser algo que considerei de cabal importância no âmbito da minha formação específica e no âmbito das minhas práticas pedagógicas.

Confesso que não fazia ideia dos moldes em que esta decorreria, nem tão pouco das metodologias e estratégias que seriam utilizadas ao longo da mesma. Em suma, no dia um de Outubro entrei no auditório da Escola Canto da Maia com igual dose de dúvidas e expectativas.

Ao longo desta primeira fase da formação, fui percebendo que tudo isto seria um processo de trabalho, de reflexão e de interiorização dos princípios, linhas condutoras, e articulação deste novo programa. Com satisfação, percebi também que não nos iriam dar uma “ensaboadela rápida” desta matéria, mas teríamos, sim, tempo e espaço para apreender, e tornar nosso este novo programa, de forma faseada e espaçada.

Outubro de 2009

Participação nos fóruns – 1

Reflectindo acerca da minha participação nos fóruns que decorreram nesta primeira fase, quer aqueles que tiveram lugar durante as sessões presenciais, quer o fórum da nossa formação em linha, considero que esta foi uma participação que, não sendo efusiva, nem tão pouco declaradamente constante, pautou-se pela atenção, reflexão constante e apreensão de tudo o que foi sendo discutido. Talvez por uma questão de personalidade e maneira de ser, mantive-me mais numa posição de observador, do que propriamente participante activo, ora porque as questões colocadas não me suscitavam dúvida, ora porque alguém as esclarecia, ou participava no fórum com ideias de que também eu partilhava.

Outubro de 2009

2º Módulo

Como quase tudo na nossa vida profissional, e não só, esta formação tem constituído uma viagem. Neste caso específico, uma viagem de conhecimento e de aprendizagem, em grupo, que bastante tem contribuído para o meu crescimento ao nível do que representa o Novo Programa de Português, bem como ao nível das minhas práticas pedagógicas conducentes a um melhor desempenho no que respeita ao trabalhar das Competências que devem ser progressivamente desenvolvidas pelos discentes com que lido diariamente.

Refiro-me a um processo desenvolvido em grupo, por duas razões fulcrais que passo, de seguida a explanar. Por um lado, tenho de, necessariamente, fazer referência ao grupo – turma, no qual estou inserido, e como o qual muito tenho vindo a aprender, graças à partilha realizada nos diferentes fóruns proporcionados por esta formação, sobretudo pelos presenciais. Na verdade, por vezes, devido a algumas condicionantes da nossa profissão, acabamos por estar encerrados nas nossas, tão seguras, torres de marfim, sem gozar e sem tirar partido da troca de experiências, quer do foro pedagógico, quer do foro científico, perdendo, assim, oportunidade de melhorar e progredir em muitas das nossas práticas pedagógicas e não só. Ora, felizmente, através desta formação e por via do contacto a que estamos expostos, com colegas das mais desvairadas escolas da região, acabamos por partilhar e por ser receptáculo de partilha de uma considerável bateria de experiências que em muito contribuem para o nosso crescimento profissional.

Por outro lado, não posso, de forma alguma, deixar de referir o quão importante e enriquecedor tem sido o trabalho de equipa realizado por mim e pelas duas colegas que pela EBI 2/3 Rui Galvão de Carvalho foram seleccionadas para frequentar esta formação. Na verdade, poderíamos ter optado por desenvolver o trabalho necessário à replicação e participação nesta formação, de forma mais individual e pessoal. Contudo, logo desde muito cedo, percebemos que isso iria minar e comprometer os princípios basilares em que assenta este Novo Programa de Português. Visto isso, e apesar de mal nos conhecermos, uma vez que leccionamos a ciclos distintos, tomámos a decisão de abraçar este projecto em conjunto, realizando tudo o que para ele tem vindo a ser necessário (preparação de replicações, realização das mesmas, construção de Blog, etc.) em trabalho de equipa. Com esta postura, pretendemos, de uma forma muito natural, transmitir aos restantes colegas da nossa escola, a importância do trabalho em equipa, numa profissão em que preparamos os Homens de amanhã para uma vivencia em sociedade, para uma partilha constante de grupo.

Novembro de 2009

Participação nos fóruns – 2

Como já referi anteriormente, um dos aspectos amplamente positivos desta formação acerca do Novo Programa de Português prende-se com a partilha de experiências e com o crescimento que nos tem sido proporcionado, graças à interacção que nasce do contacto, não só com os colegas provenientes de diversas escolas que estão a frequentar a mesma, como também do trabalho colaborativo que é realizado entre os grupos de trabalho, dentro de cada escola. Ora, os fóruns, momentos de interacção que foram sabiamente criados pelos formadores que estão à frente deste projecto, têm possibilitado, por excelência, oportunidades únicas de troca de experiências, conhecimentos, opiniões, dúvidas e até alguns receios que se prendem, sobretudo, com a operacionalização e a implementação deste novo programa.

Deve confessar que, não obstante a relevância que reconheço ao fórum criado para a nossa formação em linha, não tem sido aquele em que tenho participado mais activamente. Embora faça o possível por acompanhar o desenvolvimento dos tópicos que nele vão sendo avançados, faço-o de forma menos activa.

Já no que respeita aos fóruns presenciais, devo dizer que se têm revelado, para mim, cada vez mais produtivos. Aquando da participação no segundo módulo desta formação senti um maior à vontade para partilhar e comentar as intervenções de outros colegas de trabalho.

O facto é que, à medida que a formação tem vindo a decorrer, os assuntos abordados dizem-nos cada vez mais respeito. Por exemplo, no último módulo, tivemos oportunidade de, em trabalho de grupo e, posteriormente, no fórum presencial, partilhar experiências que se prendem com a operacionalização das actividades relacionadas com a Competência de Escrita e a Oralidade, tendo já em vista os princípios orientadores do Novo Programa. Ora, desta forma, foi-nos possível reflectir e proceder à troca de experiências e conhecimentos no que concerne aos referidos tópicos, ao mesmo tempo que nos foi possível perceber melhor como operacionalizá-los, tendo em mente os princípios basilares do Novo Programa.

Novembro de 2009

3º Módulo

Este terceiro módulo de formação, acerca dos Novos Programas de Português, teve como objecto de reflexão e trabalho dois grandes tópicos fundamentais. Nomeadamente, as diferentes tipologias de planificação (anual, de unidade, de aula), bem como a relevância do papel da leitura, nos Programas de Português, aplicado à realidade concreta dos discentes com que trabalhamos diariamente e às necessidades por estes reveladas, no que concerne à competência de leitura.

No que respeita ao primeiro tópico abordado, rapidamente se tornou claro, através do diálogo estabelecido entre formadores e formandos, no âmbito desta questão, que, ao contrário do que muitas vezes acontece na nossa prática pedagógica diária, o ponto de partida da planificação deve estar, sim, nas competências a trabalhar e desenvolver com os nossos alunos e não nos conteúdos/temáticas a ser abordadas. Mais ainda, tornou-se bastante evidente o papel de pedra de toque que irá ser ocupado pelos descritores de desempenho na operacionalização das supracitadas competências.

Reflectindo acerca desta questão, pude concluir que, será necessário repensar toda a máquina de planificação que temos estado a operacionalizar nas nossas escolas. Na verdade, dei-me conta de que, apesar de nas minhas práticas lectivas quotidianas estar a desenvolver competências nos meus alunos, faço-o, muitas das vezes, não de forma explícita e totalmente consciente, visto que na escola em que trabalho, muitos de nós não estamos , realmente, a planificar tendo por base as competências a desenvolver, mas encaixando-as, sim, nos conteúdos/temas a trabalhar ao longo da planificação anual, de unidade e de aula.

Desta forma, quer eu, quer as minhas duas colegas de formação, sentimos a necessidade de passar esta mensagem aos colegas, de escola, a quem replicámos este 3º módulo de formação, bem como a necessidade de, junto aos nossos Departamentos, iniciar um trabalho de adaptação dos instrumentos de planificação e avaliação que possuímos, de forma a torná-lo congruentes com a necessidade de planificar e avaliar por competências.

Ainda sob a égide desta temática, foi-nos dada a possibilidade de realizar um exercício de planificação de sequência didáctica. Desde cedo ficou claro que, na planificação de uma ou mais actividades, há sempre uma competência foco e competências associadas que, de forma um pouco mais indirecta, estão a ser trabalhadas. Até aqui, nada de muito complexo, antes pelo contrário, pareceu-nos bastante perceptível e lógica a supracitada acepção. As dificuldades surgem aquando do preenchimento da grelha disponibilizada para o efeito. Na verdade, esta pareceu-nos difícil de operacionalizar, levando-nos a realizar uma reorganização da mesma, ainda que sem grande sucesso. Urge, desta forma, um repensar da dita grelha, tornando-a mais simples de ser trabalhada, de forma a não transformar o trabalho de planificação do discente (que já não é de todo simples) num verdadeiro inferno dantesco. Não nos esqueçamos que o nosso verdadeiro objectivo, como professores, é contribuir para o desenvolvimento das competências gerais e específicas das disciplinas que leccionamos nos nossos alunos. Ora, se não simplificarmos e operacionalizarmos convenientemente os nossos instrumentos de planificação iremos, ao invés do que é esperado, gastar tempo precioso que deve ser revertido a favor dos nossos discentes.

Abril de 2010

4º Módulo

O quarto módulo de Formação do Novo Programa de Português, por mim frequentado, funcionou um pouco como um repescar dos tópicos/assuntos fundamentais que haviam sido trabalhados, ao longo das sessões anteriores. Desta forma, aprofundou-se algumas questões relacionadas com o Processo de Escrita, bem como com a Sequência Didáctica.

No que respeita ao processo de escrita, mais uma vez, fomos alertados para a relevância de encarar a escrita como um processo e não como um produto. Daí, pude, novamente, ter espaço para reflectir e consciencializar-me de que nas minhas práticas pedagógicas tenho de procurar encarar o desenvolvimento da Competência de Escrita como um processo através do qual os alunos devem passar por várias etapas, através das quais o texto escrito cresce progressivamente. Nesta linha, tenho implementado, nas minhas aulas, a escrita processual, tendo os próprios alunos que trocar os textos escritos, entre si, de forma a que estes sejam enriquecidos com ideias de outros colegas. Só a título de exemplo, foi o que os meus alunos do 9º ano fizeram, aquando da escrita de uma cena actualizada, a incluir no Auto da Barca do Inferno. Foi extremamente interessante e compensador ver a forma como, através das impressões trocadas entre colegas, conjugadas com a análise de uma ficha de verificação e monitorização da actividade, por minha parte, as cenas escritas cresciam em qualidade e interesse. Não se tratou de correcção exaustiva, mas sim de um processo em que a escrita não foi de todo encarada como um produto.

Ao longo deste último módulo de formação, realizámos um trabalho prático, no âmbito da Sequência Didáctica. Segundo aquilo que percebi, esta poderá ter maior, ou menor extensão, consoante o que vai ser trabalhado e por quem. Ficou claro que estas nunca poderão ser planificadas todas de uma só vez para um ano lectivo, na medida em que a planificação de cada uma delas depende, não só do que foi trabalhado na anterior, como também da forma como os nossos alunos reagiram ao trabalho anteriormente realizado.

O trabalho realizado ao longo deste módulo, no âmbito da Sequência Didáctica, teve o mérito de ser prático. De certa forma, foi-nos dada a palavra e a possibilidade de experienciar a observação, transformação e reflexão, no que respeita a um exemplo concreto de sequencialização. Desta forma, pudemos operacionalizar competências que havíamos vindo a adquirir, no âmbito da organização de uma sequência didáctica. Foi-nos assim dada a oportunidade de participar na transformação de uma modelo apresentado, sugerindo, assim, alterações, no sentido de melhor operacionalizarmos a grelha de sequencialização dada, bem como os seus conteúdos.

O formando Emanuel Pereira

Junho de 2010

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